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Espécie do mês: Pereiro

ESPÉCIE: Aspidosperma pyrifolium Mart. & Zucc.

FAMÍLIA: Apocynaceae

NOMES POPULARES: pereiro, pau-pereiro, pereiro-branco, pereiro-preto, pereiro-vermelho, pau-de-coaru, peroba-rosa, peroba-paulista

ORIGEM: Nativa

ENDEMISMO: Não é endêmica do Brasil

OCORRÊNCIAS CONFIRMADAS: Norte (Tocantins), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe), Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso) e Sudeste (Minas Gerais)

DOMÍNIO FITOGEOGRÁFICO: Caatinga, Cerrado

O pereiro é uma espécie característica da Caatinga, de ampla ocorrência nas regiões semiáridas, ocorrendo também em outras formações com solos pedregosos no Centro-oeste e Sudeste, e Chaco do Brasil, Paraguai e Bolívia. A literatura aponta sua distribuição como ampla e com padrão disjunto, ocorrendo nas Florestas Tropicais Sazonalmente Secas (FTSS). É uma espécie adaptada a baixa pluviosidade (abaixo de 800mm/ano), altas temperaturas, com temperatura média que favorece seu crescimento em torno de 26 graus.

É uma árvore com tronco ereto e não muito grosso, com diâmetro entre 15 e 20 centímetros. Sua casca é lisa, acinzentada e com lenticelas brancas quando jovem, sendo rugosa e apresentando desprendimento de placas irregulares quando mais velha. A espécie é facilmente reconhecida por seus râmulos opostos, folhas simples, obovais; inflorescência subterminal, com flores externamente tomentosas, alvas e com perfume muitoagradável, devido a presença de óleos essenciais. O fruto, chamado popularmente de "galinha", é seco, deiscente, castanho-claro, obovóide, lenticelado (com lenticelas acinzentadas) e abrem-se em duas bandas, exibindo suas sementes acastanhadas, aladas (projeções que facilitam a dispersão).

A floração da espécie pode ser anual ou bianual, ocorrendo entre os meses de setembro e janeiro. Afrutificação ocorre nos meses de janeiro a março. A polinização da espécie é realizada por mariposas e a dispersão de suas sementes é feita pelo vento. A propagação é por meio das sementes, que não apresentamdormência e ao absorver água intumescem, aumentando seu volume e dando início a germinação (três dias após a semeadura). Desse modo, a germinação da espécie é tida como rápida o que pode ser vantajoso para o aproveitamento das condições ambientais favoráveis, que no semiárido, podem ser a ocorrência das primeiras chuvas e o aproveitamento e o período curto de duração das chuvas.

O Pereiro apresenta potencial para uso industrial e farmacêutico, devido a presença de alguns compostos químicos, como flavonóides, compostos fenólicos e alcalóides indólicos, que podem estar presentes na casca, ramos, folhas, sementes e/ou raízes. É utilizada comomedicinal, havendo relatos de usos no tratamento de várias doenças (distúrbios respiratórios, febres, distúrbios estomacais, dermatites e inflamações do trato urinário, etc.), sendo sua casca a parte mais aproveitada pela população. São relatados usos contra ectoparasitas, atividades ovicidas, larvicidas, inseticidas e antibacteriana. No entanto, a espécie também pode apresentar toxidade que desencorajam seu uso, podendo ser tóxica tanto para humanos quanto em para outros animais (bovinos, cabras), principalmente na estação seca, pois neste período as folhas ainda estão verdes e são as últimas a cair, sendo bastante consumidas. Sua madeira é resistente, de cor clara e durável empregada para diversos fins, sendo muito comum seu uso em serviços de carpintaria, além de produção de carvão, cercas e lenha. É indicada para uso como ornamental e na arborização urbana, devido a beleza de sua copa.

Além disso, a espécie apresenta um potencial de uso em projetos de recomposição de áreas degradadas e de implantação de sistemas agroflorestais. O Núcleo de Ecologia e Monitoramento Ambiental (NEMA) da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) utiliza a espécie no Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (Plano Básico Ambiental - 09) para plantio de mudas, através de modelos de nucleação desenvolvidos para as áreas degradadas em decorrência da implantação dos canais do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF).

REFERÊNCIAS:

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Silva, D.D.; Ferreira, V.S.G. 2019. Morfologia de Frutos, Sementes e Plântulas de Aspidosperma pyrifolium Mart. (Apocynaceae). In: As regiões áridas e suas especificidades 3. Organizador: Zuffo, A.M. Ponta Grossa (PR): Atena Editora, volume 3.